O caderno novo

Lívia Sgarbosa; Carolina Rodrigues de Souza

Resumo

Este ensaio é um fragmento da tese Minha Mãe Faz Pedagogia, que investiga os processos formativos de mulheres estudantes de Pedagogia e licenciaturas, egressas da EJA ou do ensino noturno, que acessam o ensino superior por meio da EAD. Ancorada na cartografia, tal como compreendida por Kastrup e inspirada na perspectiva de Rolnik, a investigação se constrói como um campo de experiência implicada, que opera no entrelaçamento de teoria e prática, dissolvendo o ponto de vista fixo do pesquisador e abrindo-se às potências do encontro. Entre as cenas que marcam essa costura, destaca-se o caderno novo de uma aluna no primeiro dia de aula, símbolo da presença e do desejo de reescrever a própria história. O caderno, cuidadosamente preenchido, torna-se vestígio do acontecimento: ele afirma uma existência que insiste, mesmo diante da impessoalidade da EAD, e traça linhas de fuga que desafiam os sentidos normativos do ser universitário. Este ensaio, não busca respostas prontas, mas acompanha constelações de mulheres, Meninas Crescidas, que reinventam os caminhos da docência e da permanência na universidade, desenhando mapas vivos nas páginas de um caderno.

Palavras Chave: Educação à Distância; Cartografia; Formação de Professoras

The New Notebook

Abstract

This essay is a fragment of the dissertation Minha Mãe Faz Pedagogia, which investigates the formative processes of women studying Pedagogy and other teaching degrees, who are former students of Youth and Adult Education (EJA) or night school and who access higher education through distance learning (EAD). Anchored in cartography as understood by Kastrup, and inspired by the perspective of Rolnik, the investigation is built as a field of implicated experience, operating through the intertwining of theory and practice, dissolving the fixed standpoint of the researcher and opening itself to the power of the encounter. Among the scenes that mark this weaving, the new notebook of a student on the first day of class stands out, a symbol of her presence and the desire to rewrite her own story. Carefully filled in, the notebook becomes a trace of the event: it affirms an existence that persists, even in the face of the impersonality of distance learning, and sketches lines of flight that challenge normative understandings of being in university. This essay does not seek ready-made answers, but instead follows constellations of women, Grown Girls, who reinvent the paths of teaching and persistence in the university, drawing living maps on the pages of a notebook.

Keywords: Distance Education; Cartography; Teacher Education

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Referências

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