Fogo-nômade abrindo caminhos de resistências e (re)invenções em meio ao piroceno
Fogo-nômade abrindo caminhos de resistências e (re)invenções em meio ao piroceno
Marcos Allan da Silva Linhares; Keyme Gomes Lourenço; Lucas Rodrigues Silva
Resumo
O ensaio propõe uma reflexão sensível e filosófica sobre a convivência com o fogo na era do Piroceno, destacando seu caráter nômade, imprevisível e transformador. Desde os primórdios, o fogo entrelaça tanto vida quanto morte, criação quanto destruição. Ele desterritorializa, queima territórios e certezas, empurrando a humanidade para novos modos de existência e resistência. No Piroceno, o fogo deixa de ser um elemento a ser controlado e passa a ser um companheiro de jornada — uma força com a qual precisamos coabitar e pensar estratégias de sobrevivência, convivência e criação. O texto convida à experimentação com o fogo em diferentes campos — filosófico, educativo, artístico e científico — e sugere que, ao invés de temê-lo, devemos formar alianças com ele. Queimar-se com o fogo, aqui, é metáfora para reinventar práticas pedagógicas e formas coletivas de vida, especialmente diante das ruínas e incertezas do presente. O ensaio, assim, é também um gesto de resistência e reexistência.
Palavras-chave: Fogo. Nômade. Experimentação.
Nomadic fire opening paths of resistance and (re)invention amid the pyrocene
Abstract
The essay offers a sensitive and philosophical reflection on coexisting with fire in the age of the Pyrocene, emphasizing its nomadic, unpredictable, and transformative nature. Since ancient times, fire has symbolized both life and death, creation and destruction. It deterritorializes, burning through territories and certainties, pushing humanity toward new modes of existence and resistance. In the Pyrocene, fire is no longer something to be controlled, but a companion — a force with which we must coexist and envision strategies for survival, coexistence, and creation. The text invites experimentation with fire across various fields — philosophical, educational, artistic, and scientific — and suggests that instead of fearing it, we must form alliances with it. To be burned by fire becomes a metaphor for reinventing pedagogical practices and collective ways of life, especially amidst the ruins and uncertainties of the present. The essay thus becomes a gesture of resistance and re-existence in a world on fire.
Keywords: Fire. Nomadic. Experimentation.
Texto Completo
Referências
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